segunda-feira, 1 de novembro de 2010

E agora, qual será o futuro do nosso país?

Ninguém pode negar que a partir de hoje o Brasil começa uma nova página na sua história. Uma história que ainda está para ser escrita, mas que no meu ponto de vista continuará no mesmo curso da que vivemos até hoje.
Tendo ao seu lado o que eu chamaria de "o melhor cabo eleitoral do mundo" Dilma Rousseff sagrou-se prisidente da república em uma eleição muito disputada, mas absolutamente sem conteúdo, uma vez que nem Dilma, nem Serra foram capazes de mostrar ao eleitor seus planos de governo e o que cada um faria para enfrentar os desafios do pais, tais como educação, sustentabilidade, infraestrutura, economia etc.

Com este senário é um tanto quanto audaz, para não dizer inapropriado, mas vou ousar colocar aqui como que vejo a situação atual e o que espero para o futuro.
Ao longo de praticamente todo este ano tenho discutido política com um variado número de pessoas, desde uma tia distante até políticos em campanha, e o que me chamou a atenção é a reduzida visão de futuro de forma generalizada. Quando falo em futuro sempre tendo a pensar no longo prazo, algo além dos 10 anos, no entatanto tenho a impressão que o público em geral não consegue vizualizar um futuro mais distante do que 2 anos. Isto posto, o futuro que aqui discorro tratará do longo prazo.

A presidente eleita Dilma Rousseff é uma personagem até o presente momento incógnita. Sem experiência em cargo eleito, mas impulsionada por Lula chegou à vitória nas eleições como sendo a continuidade de um governo que tem mais de 80% de aprovação, e para mim esta é a única indicação de qual será o seu plano de governo.
São inegáveis os avanços sociais nos últimos 8 anos, mas para mim termina aí a qualidade do governo de Luiz Inácio da Silva. A estabilidade econômica e força da economia brasileira se devem ao processo de estabilização que veio com o plano real e à industria diversificada com um mercado consumidor interno bastante forte. Nos anos de seu governo, Lula pouco fez para melhorar a qualidade e eficiência da nossa economia, muito pelo contrário, com um discurso estatizante as agências reguladoras perderam força e o governo ocupou mais espaço nas empresas públicas, um exemplo deste processo de re-estatização é o ressurgimento da Telebras.
Como se não bastasse a pífia melhoria no campo econômico os problemas do atual governo são muito mais graves quando falamos de respeito às instituições democráticas e liberdade de expressão. Ao longo de seu governo Lula vimos inúmeros sinais desrespeito à orgãos como o TCU, interferência no Supremo Tribunal Federal e mais recentemente a ousadia de enfrentar o Tribunal Superior Eleitoral ao fazer campanha à sua candidata. Com relação à liberdade de expressão foram várias tentativas e discursos atacando a imprenssa com a defesa do "controle social da mídia".

Olhando para os procedimentos utilizados pelo governo atual e acreditando no discurso da continuidade vejo os seguintes desdobramentos no longo prazo:

- Programas sociais: os programas sociais continuarão e serão expandidos no governo Dilma. Este modelo não é sustentável, sem uma contrapartida do aumento da empregabilidade, que se dá pela educação, o número de dependentes destes programas sociais só crescerá e a necessidade de mão-de-obra produtiva e pagadora de impostos será ainda maior, elevando ainda mais a carga tributária atual.

- Aumento da participação do estado na economia: tudo me leva a crer que o estado brasileiro continuará crescendo enquanto participante ativo na produção de bens e serviços. Isto se dará através de empresas como Petrobras, Telebras, Correios etc. A história recente mostra que empresas estatais tornam-se focos de corrupção e servem de meio de troca política do partido que está no governo, como consequência os serviços prestados à sociedade se deterioram e os recursos do estado que poderiam ser alocados em outros pontos essenciais são drenados pelas estatais.

- Liberdade de expressão: sinceramente espero estar totalmente errado neste item, mas o comportamento do atual presidente, discursos de José Dirceu e ações na justiça que limitam a liberdade da imprensa me levam a crer que a liberdade que temos hoje será reduzida ao longo do tempo, será que poderei escrever o que escrevo agora daqui há 10 anos?

- Transparência: aliado à perda de liberdade de expressão a falta de transparência na divulgação de dados do governo será uma ameaça ao país, acredito que a manipulação de dados e truques contábeis continuarão, levando o país a uma situação insustentável no longo prazo com a degradação das contas públicas gerada pelo aumento de gastos produzindo assim um quadro inflacionário.

- Sustentabilidade: a presidente eleita quando ministra foi a Copenhague e textualmente disse que "...o meio-ambiente é sem dúvida nenhuma uma ameaça ao desenvolvimento sustentável". Com isso não espero que este governo tenha respeito e cuidado com o meio-ambiente muito menos incentive uma economia baseada na sustentabilidade, vejo que o processo de desmatamento continuará em rítmo acelerado e não haverá política para diminuição das emissões de gazes do efeito estufa. Vejo as belezas, riquezas e potenciais do nosso país dilapidados com oportunidades econômicas e qualidade de vida severamente diminuídas no longo prazo.

Infelizmente não será desta vez que teremos um governo comprometido com a educação, sustentabilidade, responsabilidade fiscal e melhoria da infraestrutura produtiva do país, mas espero ler este texto daqui há 4, 8 e 12 anos e ver que estou totalmente enganado!

Anderson Assunção.

Um comentário:

  1. Tbm penso assim, mas para este pais realmente dar certo, temos q deixar um pouco de discutir politica e comecarmos a fazer politica. Isso eh, temos q ter candidatos do bem. Temos nos q sermos candidatos...
    abs, Luis Polo

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